Dois Policiais trouxeram no S. Gerardo um homem de rua, ele tava com uma mala de couro claro, e não queria deixá-la por nenhuma razão da sua vida, nessa mala mal conservada, estava a vida inteira dele, todas as lembranças da sua mulher que morreu já muitos anos atrás, mas ele quer sempre ela perto dele, era a única coisa que ele tinha, ele preocupava-se que ninguém pegasse a mala. O homem se chama Franky, 54 anos, com poucos cabelos brancos na cabeça, estava sofrendo muito, uma rara doença estava atacando as vias respiratórias, além de uma hemorragia interna.
Os doutores decidiram interna-lo com urgência, soro, seringa, adrenalina, 0,1 dose de anxiro, pressão, preparar aspirador para hemorragia. Franky assistia com calma o desespero dos doutores, ele sabia o que estava acontecendo, porém o medo dele o deixava indiferente.
:- Temos que colocar o aspirador dentro da sua traquéia Franky, temos que tirar o sangue dos seus pulmões.
Franky, já privado de forças, conseguiu abrir a boca para que a doutora colocasse o tubo do aspirador, isso foi muito desagradável para Franky, ele não gostou de ver todo esse sangue saindo da sua boca, ele estava mal, triste, e quase sem esperanças, ele não quer sofrer, ele quer pelo menos viver esses seus últimos momentos em paz.
Franky:- Doutores, me deixem isso è doloroso, sabemos que não tem como eu sair hoje daqui. Quero ficar tranquilo, não tenho muitas esperanças de sobreviver a tudo isto, meus pulmões, rins, e o resto já está como lixo. Quero não sentir mais dor, quero ficar tranquilo e em paz, onde está minha mala?
Doutor:- Está aqui nos pés da cama. Franky, você tem certeza disso? Quer que nós paremos de cuidar de você? Nós podemos ajudá-lo.
Os doutores olhavam-se entre eles surpresos pela nitidez do pensamento do Franky, ele tinha perfeitamente razão sobre sua mesma situação, ele não iria sair desse hospital, sua situação era muito grave.
Doutor J:- Franky,... Quer mesmo isso?
No quarto do Franky agora tem somente dois doutores, Anna e Paul, eles cuidarão do Franky enquanto ele cumpre sua viagem. Um antidolorifico foi injetado e uma flebo para deixá-lo mais inconsciente, porém Franky, na sua viagem não está tão inconsciente.
Franky está em uma estação de trem, muitas pessoas que ele viu nesse dia, estão juntas para pegar o mesmo trem, ele esta fazendo a fila para pegar o ticket dele, a moça na caixa se chama Anna, ela diz para ele que não vai estar só na viagem, que alguém vai estar ao lado dele.
A Doutora Anna, estava ao lado da cama do Franky, ela segurava a mão dele dizendo-lhe que não ia estar só.
Franky, na estação, senta-se com seu ticket na sala de espera, ao seu lado uma mãe com duas crianças, elas brincam, e inveja esse momento de união familiar. Franky disse para a moça que essas duas crianças são lindas e que ele também tem um filho, mas foram separados há muitos anos, a moça comoveu-se.
Anna, ah pouco tempo soube que está grávida, ouvindo as palavras do Franky sobre as crianças comoveu-se, como ele pode saber disso, uma forte emoção de tristeza e de alegria encheu os olhos dela de lágrimas.
Franky está muito cansado, levanta-se para ir ao banheiro deixando sua mala de couro claro perto das crianças, ele se olha no espelho, sua cara è de quando havia casado com Rose, ele deve ter uns 30 anos, ele sente-se bem ao ver seu reflexo, porém não para de se olhar, a moça que faz as limpezas diz para ele que está bonito, não precisa se preocupar com esse espelho que não ia mudar nada.
Anna, acariciando o rosto do Franky, tranquiliza ele com palavras bonitas. Anna contrasta suas emoções com a viagem do Franky e com a sua gravidez, ela chora por ele.
Franky sobe no trem, ele se acomoda no primeiro assento que ele acha e fica tranquilo nessa pequena viagem. Ele observa pela janela todos os momentos da sua vida, sua infância, muito divertida, lembra dos aniversários, do primeiro beijo, da primeira vez que fez amor, as viagens, as despedidas, o casamento, o amor da sua vida, o nascimento do seu filho, muitas imagens passam por essa janela, ate uma imagem que o deixa pensar, a morte da sua esposa. Ele diz ao homem ao lado dele, quanta saudade tinha da sua mulher e que se estivesse nesse dia maldito ao lado dela, nunca iria acontecer nada, ela tem que ficar!!! Ela tem que ficar!!!
Paul, surpreendido das palavras do Franky sentiu-se como se falasse com ele... ele queria pedir divórcio, mas não estava tão convencido, porque o Franky disse isso...?
Franky olha fora da janela, a paisagem é muito linda, calma, nada parece ter mais equilíbrio, tudo parece ser tão perfeito, uma voz avisa aos passageiros que o trem ia parar em alguns segundos, e que têm de pegar as malas para se preparar para descer,
As 12.04 o trem pára...
Franky desce, ao longe vê uma mulher vestida de amarelo pálido, vestido dos anos 70, ela está esperando-o, com a mão faz sinal para o Franky.
Paul: 12.04, Franky, arresto cardíaco.

